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Lídia Jorge

Nasceu em 1946, em Boliqueime, Loulé. É professora e escritora. Completou os estudos secundários em Faro, no Liceu Nacional, e foi aí que adquiriu o gosto pelas Letras e Teatro. Licenciou-se em Filologia Românica, em Lisboa, dedicando-se seguidamente ao ensino liceal em vários pontos do país, em Angola e Moçambique. A passagem por África foi um dos grandes contributos para a sua criação literária. Leccionou Didáctica da Literatura na Universidade Clássica de Lisboa.
Autora de grande prestígio internacional, ocupa um lugar de destaque na ficção portuguesa contemporânea. As suas obras estão traduzidas em muitos países, como França, Alemanha, Holanda, Itália e Estados Unidos.
Os seus romances são constituídos por vários planos narrativos, onde o real e o fantástico coexistem em grande harmonia.
Lídia Jorge é também autora de uma peça de teatro – “A Maçon”, que se estreou em 1997 no Teatro Nacional D. Maria II.
Distinguida com inúmeros prémios, recebeu recentemente o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, com a sua obra “O Vento Assobiando nas Gruas”.


Obras principais:

O Dia dos Prodígios (1980)
O Cais das Merendas (1982)
Notícia da Cidade Silvestre (1984)
A Costa dos Murmúrios (1988)
A Instrumentalina (1992)
A Última Dona (1992)
O Conto do Nadador (1994)
Um Amigo que Passa (1995)
O Jardim sem Limites (1995)
A Maçon (1997)
O Vale da Paixão (1998)
O Vento Assobiando nas Gruas (2002)


"O que me leva a escrever é a vida, toda ela, e o sonho que ultrapassa a vida. Não aceitar que a vida seja só vida." "Quando escrevo sinto que estou a falar com o mundo. Um mundo impreciso e invisível onde todas as falas estão ligadas."

“Naquela tarde quente de Agosto, o longo corpo da Fábrica Velha ainda lá estava estendido ao sol. Não propriamente intacto, pois nessa altura já o telhado verdoengo abaulava como se a ondulação do mar se prolongasse na cobertura do edifício. Também os parapeitos de algumas janelas ostentavam ramalhetes de ervas finas dispostas em forma de cabeleira, puxando-os para a terra. A própria inscrição frontal, Fábrica de Conservas Leandro 1908, já havia perdido quase todas as letras, e a uma certa distância apenas se decifrava servas e 908, configurando uma espécie de sinal cabalístico inscrito na parede branca. Mas esses factos pouco ou nada interessavam. Milene encontrava-se parada em frente do velho edifício, apenas porque esperava que o portão se abrisse e alguém aparecesse para falar com ela." (...)


In, O Vento Assobiando nas Gruas